terça-feira, 17 de junho de 2008

Pensar dói.

Lembrar, sequer, magoa.
Pensar dói.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Caminho.

Dois. Que esquecido número. Nada significa e pouco importa, mas é especial. Especial não por ter significado, porque não tem, ou por importar, porque não importa, mas pela sua futilidade e indiferença que deixa trespassar: o dois é só um dois. É a curva para a eterna saída. Finda-se num rectilíneo círculo paralelo á realidade, tão macabra realidade… macabra para o ser humano, que, apesar de imundo, pensa: vive e sente com o pensamento. Eu não: eu vivo e sinto com o toque, com o olhar, sem pensar, sem querer… levada pela infinita nortada, jamais acabada.

Três. Perfeita simetria num médio sentido que já não me pertence, sequer jamais pertenceu. Descontrolado saiu de si sem querer achar um caminho, porque isso não é de todo relevante para alcançar o sonho de esquecer que o mundo é redondo e fechado a tudo o resto. O mundo. Eu não, eu vejo mais além e consigo transcender-me para onde sequer pensaram, que é o que eles fazem. Pensar para quê, quando podemos respirar a verdade? Aspirar a perfeição com um tocar de sorriso e alcance da mão. O três revela sentimentos que provocam o repensar de situações, mas que nada servem porque jamais irei pensar… pensar que é no pensar que o pensar se inicia, a pensar. O pensamento, não.

Quatro. Difícil aceitação de mim. Início de etapas que nunca terão sucesso mas que as crio e recrio porque não penso, sinto e sinto o que sentem e não o que sinto, porque para sentir o que sinto, necessitaria de pensar, e não o farei doravante. Sinto o que por mim sentem ao pensarem, ao imaginarem sequer… dou esperanças e crio refúgios em algo não verdadeiro, num sonho. Faço-o, faço-o porque é o que está certo para mim, que não sei nem quero saber as consequências que advém porque não sinto com o coração… sinto com a sensação. Em breve deixarei de pertencer a alguém para regressar ao conforto do mundo, da realidade… da eterna verdade natural que me relembra as infindáveis angústias que outrora se iniciaram, para me juntar á vida, á natureza… á cor da realidade que jamais me abdica.

Cinco. (?) O que é cinco? Se interessa ou não, não sei, nem sequer sei o que significa o interessante, mas o cinco é um cinco, um único sublinhado de uma numeração outrora criado por um ser pensador, o que menosprezo só pelo facto de usar as capacidades que lhe foram atribuídas… ou que desenvolveu. Porque um cinco é apenas um número, e que mais poderia ser que um cinco? Que significado teria se apenas existe? Existe de uma forma que ninguém pode pensar, porque existe… existe apenas. Existe.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Escrevo

O tempo não pára. O meu coração ficou para trás, longe. Perdido. O tempo não esperou. Desdobro-me. Perco-me. Não me sei. Não me conheço. O espelho apenas aumenta a duvida. Quem sou eu? O reflexo que me sufoca.
Escrevo. Escrevo de ti… de mim. Escrevo do que sei escrever. Escrevo de tudo que afinal não é nada. Para quê?... Escrevo porque não o sei dizer. Procuro-me nestas palavras, em cada linha… em cada palavra.
Deito-me. Penso em ti. Dou voltas e voltas na cama. Levanto-me. Escrevo. Por que o faço?... Não sei. Talvez porque tudo o que escrevo não o saberia dizer. Talvez porque cada letra que escreva alivie a minha dor.
Escrevo. Escrevo o impossível, escrevo pedaços de palavras que se perderam e que vou encontrando. Escrevo sentimentos. Angústias. Escrevo o que trago comigo… perdas… derrotas. Escrevo palavras sem sentido.
Escrevo-me…
Escrevo-te…
Escrevo-nos …
Apenas, escrevo.

sábado, 31 de maio de 2008

Recomeço.

Nunca pensei,
Que em tão pouco tempo conseguisse ver,
E ainda mais ter,
O que outrora nunca alcancei.


Pensar? Não, não o poderia fazer,
Porque pensar, eu sei,
É algo não natural de acontecer:
Por isso recomecei.


Se me sinto hoje bem,
Por sentir não pode ser,
Nem por gostar também,
Mas porque consigo ver,
Ver a esfera que me rodeia,
Ver que este anseia
Que também eu consiga ser,
Mais que um ser que por aí vagueia.

domingo, 25 de maio de 2008

Solitude

Saio de casa. Vou por aí. Sinto-me mais só que nunca. Isolada. Abandonada. Centenas de pessoas à minha volta e eu sozinha. Vou aqui… ali. Ando às voltas como se andasse perdida mas conheço perfeitamente todos estes sítios pois já passei por eles vezes sem conta, sempre sozinha. Eu e a solidão. Fumo um cigarro. Tomo café. O café amargo confunde-se com a minha própria amargura. Sinto-me uma pessoa triste.Hoje a solidão não é um refúgio para mim mas sim um fardo que carrego. Hoje não me quero refugiar na solidão mas sim nas pessoas. Quero sentir-me aconchegada por risos, alegria... quero sentir que não estou sozinha. Imagino... sonho....
Sento-me. Acendo outro cigarro. Vejo a solidão ao meu lado. Olha para mim como se já me conhecesse desde que nasci. Vejo que me tem acompanhado toda a minha vida. Sorri para mim. Abraça-me com a força do mundo, faz-me sentir que nunca me irá abandonar. Entranha-se em mim. Sinto cá dentro o seu frio, o seu vazio. Acomodo-me a este vazio. Percorro as ruas... volto para casa.
Sozinha.

sábado, 24 de maio de 2008

<3

Momentos. Momentos que não fazem sentido. Momentos onde nós não fazemos qualquer sentido. Perdidos em angústias, recordações, perdas...
Perdemo-nos dentro de nós. Perdemo-nos em memórias intermináveis.
Perco as forças. Quero gritar mas não sei o caminho para a minha voz.
Não sei. Não sei o que faço aqui, porque, apesar de tudo, continuo aqui. Não sei.
Não sei escrever coisas bonitas, a frieza invade a tinta da caneta. Não sei escrever sentimentos, apenas sei senti-los. Não sei...
Sei o que sinto. Sei que sinto que gosto de ti como se te conhecesse desde sempre. Sei que gosto de passar horas e horas a conversar contigo sobre tudo e sobre nada. Sei a pessoa fantástica que és. Sei que me fazes rir descontroladamente. Sei que não quero nunca perder a tua amizade.
Apenas sei... que te adoro.
(pa tue)

Life to Lifeless (you).

Humanity cover me with the ashes of remembrance
I will learn from this pain
There is no darkness without light to teach us of ourselves
Life to lifeless to eternity, life to lifeless the cycle repeats
Death unfolds itself painfully to unmask how fragile we are
Death unfolds itself painfully, teacher of sanity
The pain drags me down
I'll rebuild me



Adoro-te Joana Dias.
Because I believe you can do it, as I can.



Life to lifeless by Killswitch Engage.

Início.

Tento escrever sem sentido,
Levada pela infinita nortada
Que percorre a vida e o nada,
Para que apenas eu tenha percebido
Que a realidade não mais me é negada.

Percorro com os dedos a sensação do toque
Das teclas que, termo a termo,
Transportam como um reboque
Aquilo que flui do meu olhar ermo.

Olho e retomo o olhar,
Escrevo, escrevo sem cansar.
Páro, olho novamente,
Páro, retiro-me de repente.

Corro em busca da instintiva paixão,
Sigo emanada em sensação,
A mais bonita do ser,
A que todos podem querer.
Alcançá-la, isso não,
Pois só eu a posso ter.

O meu renascimento terminou,
O sentimento acabou:
A minha existência iniciou
Algo que jamais findou.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Tempo.

Tempo. O tempo não é nada. O tempo não serve para nada. A longevidade das memórias não atenua nada. A poeira assenta. De vez em quando, levanta-se com a força de multidões e espalha-se.A poeira torna-se tudo o que existe. Tudo o que vemos e sentimos. Naquele fim de tarde tu eras a única coisa que existia. Nada mais importava. O mundo não importava.
Passei o dia todo com a ânsia e o desejo de te ver. Tentava não pensar, mas só pensava em ver-te. Inventava conversas, gestos.
O tempo recusava-se a passar. Permanecia. E eu, à espera. À espera do que o tempo trazia.
De repente, todas as memórias invadiram o presente. Tu. O teu olhar. O mesmo olhar pelo qual me apaixonei. O tempo tivera alterado algo em nós. Algo... mas continuávamos de certa forma iguais. Olhares. Risos. Toque. Momentos... a efemeridade do tempo. Queria que aquele momento durasse para sempre. Mas o tempo. O tempo cruel recusou-se e devolveu-me a angústia, quando, uma vez mais, te vi partir, para longe de mim. Para longe de nós. Para longe de tudo o que poderíamos ser.
Tempo. Tempo que faz de nós marionetas, contrariando a nossa vontade, roubando-nos os breves instantes de felicidade que nos são proporcionados.
Hoje, carrego o tempo insuportável da tua ausência.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A cor do coração.

Está frio e eu não sinto.
Quando está calor, eu minto:
Digo que sim,
Só para, sem me preocupar, recriar um doce fim.

Eu não sinto,
Porque o sentir não existe.
Eu não sinto,
Porque o sentimento não me assiste:
O do coração,
Não, esse não.

Eu sinto, sim, com o sentido,
Com o toque que me não é impedido,
Com o entender do meu ouvido.
Eu vejo, logo vivo.

Se quero conhecer, eu toco.
Se quero perceber, eu respiro.
Se me quero perder, não troco,
Se quero subir, eu suspiro.

Fecho os olhos e sou eu:
Conheço a realidade,
A de um mundo sem céu,
A de uma existência em aleatoriedade.

Atiro-me ao chão –
Invade-me a sensação –
De uma imensa paixão
Pela verdura,
A cor,
A cor do coração.