Hoje acordei com a sensação de que já passaram demasiadas horas por mim. Horas que passaram e eu não vi. Horas como água a escorrer-me entre os dedos. Horas que lentamente se foram tornando em dias. Meses. Anos.
Hoje sopro as velas do tempo. Festejar!? Festejar a minha derrota!? Festejar o facto de não ter sabido aproveitar as horas que passaram por mim quando ainda havia a oportunidade.
Torno-me uma coleccionadora de cicatrizes. Cicatrizes que sararam com a vontade de continuar. Cicatrizes que teimam em permanecer abertas. Cicatrizes infectadas de sofrimento, dor. Cicatrizes de saudade e solidão.A pele. A pele rasgada pelo tempo. O tempo implacável sobre a pele. Horas que passaram sem aviso. Horas que eu não dei conta.
Hoje, hoje olho para mim e já não me reconheço. Vejo-me sem rumo. Sem vontade. Vazia. Sem ti. Sem mim. Nada. O nada que ocupa tudo cá dentro.
Anos.
O peso do tempo sobre mim.
Feliz aniversário.
Pede um desejo.
(Quero... te).
2 comentários:
O tempo passa quer queiramos quer não. Passa tão rápido que nos esquecemos que, também nós, temos o direito a viver. Não te podes - apesar de, involuntariamente, acontecer - deixar vencer por não teres quem amas. Nem tu, nem eu, nem ninguém. O que a mim me dá força para esquecer tudo e continuar é saber que - apesar de não querer - tenho a capacidade de amar novamente. Aliás, tenho a necessidade de amar. Não posso sofrer; e quando sofro, procuro amar. And so on. A busca insaciável do amor, see? É eterna, o tempo passa, mas alcanças várias vezes o que procuras: só tens que ter força, só tens que querer. Esquecer. Começar. Procurar. Alcançar.
Vais amar muitas mais vezes, vais começar e acabar relações e, ainda que agora tal coisa não te passe pela cabeça, é um facto inegável.
As cicatrizes? O tempo cura tudo, e as cicatrizes saram. Esquece-se tudo, embora permaneça sempre a saudade.
As cicatrizes saram mas ficam. é inevitável. Mas sim, o tempo resolve muita coisa
Enviar um comentário