sexta-feira, 23 de maio de 2008

Tempo.

Tempo. O tempo não é nada. O tempo não serve para nada. A longevidade das memórias não atenua nada. A poeira assenta. De vez em quando, levanta-se com a força de multidões e espalha-se.A poeira torna-se tudo o que existe. Tudo o que vemos e sentimos. Naquele fim de tarde tu eras a única coisa que existia. Nada mais importava. O mundo não importava.
Passei o dia todo com a ânsia e o desejo de te ver. Tentava não pensar, mas só pensava em ver-te. Inventava conversas, gestos.
O tempo recusava-se a passar. Permanecia. E eu, à espera. À espera do que o tempo trazia.
De repente, todas as memórias invadiram o presente. Tu. O teu olhar. O mesmo olhar pelo qual me apaixonei. O tempo tivera alterado algo em nós. Algo... mas continuávamos de certa forma iguais. Olhares. Risos. Toque. Momentos... a efemeridade do tempo. Queria que aquele momento durasse para sempre. Mas o tempo. O tempo cruel recusou-se e devolveu-me a angústia, quando, uma vez mais, te vi partir, para longe de mim. Para longe de nós. Para longe de tudo o que poderíamos ser.
Tempo. Tempo que faz de nós marionetas, contrariando a nossa vontade, roubando-nos os breves instantes de felicidade que nos são proporcionados.
Hoje, carrego o tempo insuportável da tua ausência.

1 comentário:

co-seno disse...

Já dizia a outra: Time keeps running away, no matter what's left behind it keeps on moving.

Queres perder esse tempo? Really?
Sabes que não podes, porque o tempo é tudo. Mais, o tempo é a solução para tudo. Tudo.

Gostei porque percebo o que dizes e não gostei porque odeio ver-te assim. Anima-te.